O termo Renascimento é comumente aplicado à civilização européia que se desenvolveu entre 1300 e 1650. Além de reviver a antiga cultura greco-romana, ocorreram nesse período muitos progressos e incontáveis realizações no campo das artes, da literatura e das ciências, que superaram a herança clássica. Trata-se de uma volta deliberada, que propunha a ressurreição consciente (o re-nascimento) do passado, considerado agora como fonte de inspiração e modelo de civilização. Num sentido amplo, esse ideal pode ser entendido como a valorização do homem (Humanismo) e da natureza, em oposição ao divino e ao sobrenatural, conceitos que haviam impregnado a cultura da Idade Média.
A cultura da Idade Média valorizava a tradição e a autoridade da Igreja (Teocentrismo). O homem não valia como ser material, o importante era sua alma. Os prazeres materiais não eram bem-vistos pela Igreja. A Igreja determinara que o que Deus queria não devia ser desrespeitado e, portanto, o homem deveria obedecer e se conformar com os desígnios de seu destino.
A partir da metade do século XIV, essas ideias começam a ser criticadas por muitos pensadores. Para esses pensadores o homem era o centro de tudo (Antropocentrismo); a vida na Terra era considerada de alegria e prazer; a arte de finalidade estética. Os escritores, filósofos, pintores, escultores e cientistas que defendiam essa valorização material e realista do homem e da natureza foram chamados de humanistas.
Os humanistas passaram a modificar suas artes. As pinturas de santos sem características humanas saíram de cena e surgiram figuras mais reais, além de cenas da vida cotidiana. Muitos humanistas consideraram a cultura greco-romana superior à medieval porque a cultura clássica, assim como a renascentista, valorizava o homem e o pensamento racional. Para eles, ser guiado pela razão era orientar as próprias ações no mundo, através da experiência e do raciocínio, desprezando a autoridade da tradição e as explicações sobrenaturais
Este movimento teve berço (início) a Itália e passou a ser chamado de RENASCIMENTO.
· Os autores humanistas que mais se destacaram:
ü erasmo de rotterdam: elogio da loucura = criticou o luxo em que viviam os Papas e Bispos e defendeu a liberdade de interpretação dos textos sagrados.
ü ariosto: orlando furioso = criticou a crença na magia e na superstição.
ü william shakespeare: hamlet = retratou as emoções e os anseios humanos.
ü maquiavel: o príncipe = aplicando a razão ao conhecimento da política, indicou os meios mais eficientes para alcançar e manter o poder. Retirou a política do campo da moral e da religião, dando-lhe o estatuto da ciência.
ü camões: os lusíadas = relatou com maestria e arte a epopéia das navegações portuguesas.
ü cervantes: dom quixote = ridicularizou a nobreza feudal e a mentalidade medieval.
As cidades de Gênova, Florença e Veneza eram os maiores centro do comércio europeu, reunindo banqueiros, comerciantes e príncipes que financiavam e sustentavam os artistas, eram chamados de MECENAS. Eles contribuíram decisivamente para a arte que os retratava: a renascentista. Esses comerciantes desejavam ver suas casas com muitas obras, isto significava maior prestígio e por isso incentivavam financeiramente as obras desses artistas.
Nos nossos livros de Ciências atuais existem afirmações que não duvidamos mais, como por exemplo que a Terra é redonda. Essas afirmações são consideradas verdadeiras porque foram demonstradas e provadas pela ciência. Portanto fazem parte do conhecimento científico. Hoje nós buscamos a verdade a partir da ciência, do experimento, pois ela procura descobrir os dois mundos nos quais o homem vive: o natural e o social. A medida que a ciência explica novos mistérios sobre esses mundos aumenta o conhecimento do homem sobre a realidade que o cerca. Ciência, então, é um corpo de conhecimentos demonstráveis pela experiência e pela lógica.
Mas, o homem medieval considerava como verdadeiro o que concordava com a tradição religiosa e os preceitos sustentados pela Igreja Católica. A base da verdade na Idade Média era a fé. Somente a partir dos séculos XV e XVI, a visão da Igreja passou a sofrer a concorrência do pensamento científico, na explicação do mundo. Vários estudiosos começaram a tentar construir as verdades não mais através da fé, mas da observação e da experimentação. Passaram a dizer que qualquer afirmação só poderia ser considerada como verdadeira depois de sua comprovação pela experiência. Assim, a observação e a experiência passaram a ser praticadas por muitos estudiosos
A Itália, na época do Renascimento era formada por dezenas de cidades e pequenos Estados, em constantes conflitos entre si. Era, ao mesmo tempo, a região mais dinâmica da Europa devido a sua grande efervescência econômica e cultural. Foi em Florença, na época considerada um dos centros do Humanismo, que viveu durante a primeira fase de sua vida Leonardo da Vinci. Leonardo da Vinci pode ser considerado como o homem ideal do Renascimento porque era ao mesmo tempo artista, inventor, cientista, engenheiro e filósofo. Personificava assim o ideal renascentista de sábio. Projetou a urbanização de Milão, idealizou uma máquina voadora que mais tarde seria o helicóptero, inventou o pára-quedas.
- Características Principais:
ü Valorização da cultura greco-romana (Antiguidade Clássica). Para os artistas da época renascentista, os gregos e romanos possuíam uma visão completa e humana da natureza, ao contrário dos homens medievais;
ü As qualidades mais valorizadas no ser humano passaram a ser a inteligência, o conhecimento e o dom artístico;
ü Enquanto na Idade Média a vida do homem devia estar centrada em Deus (teocentrismo), nos séculos XV e XVI o homem passa a ser o principal personagem (antropocentrismo);
ü A razão e a natureza passam a ser valorizadas com grande intensidade. O homem renascentista, principalmente os cientistas, passam a utilizar métodos experimentais e de observação da natureza e universo.
- Principais representantes do Renascimento Italiano e suas principais obras:
- Giotto di Bondone (1266-1337) - pintor e arquiteto italiano. Um dos percursores do Renascimento. Obras principais: O Beijo de Judas, A Lamentação e Julgamento Final.
- Michelangelo (1475-1564)- destacou-se em arquitetura, pintura e escultura. Obras principais: Davi, Pietá, Moisés, pinturas da Capela Sistina (Juízo Final é a mais conhecida).
- Rafael Sanzio (1483-1520) - pintou várias madonas (representações da Virgem Maria com o menino Jesus).
- Leonardo da Vinci (1452-1519)- pintor, escultor, cientista, engenheiro, físico, escritor, etc. Obras principais: Mona Lisa, Última Ceia.
- Sandro Botticelli - (1445-1510)- pintor italiano, abordou temas mitológicos e religiosos. Obras principais: O nascimento de Vênus e Primavera.